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sábado, 22 de março de 2014

0 22 de Março - Dia Mundial da Água

 

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A Água que ninguém vê

Nos últimos anos, sempre no dia 22 de março alertamos para os perigos do manejo incorreto de um recurso primordial a vida, a água.

Vou voltar a um tema que a maioria nem lembra. A água que ninguém vê.

Estamos habituados a calcular, no uso doméstico, um consumo médio de 200 litros por habitante/dia. Porém, considerando outros usos, quantos litros de água uma pessoa consome por dia? A resposta está no cálculo da água virtual.

A água virtual é a quantidade que se gasta dela para produzir um bem, produto ou serviço. Ela está embutida no produto, não apenas no sentido visível, físico, mas também no sentido "virtual", considerando a água necessária aos processos produtivos. É uma medida indireta dos recursos hídricos consumidos por um bem.

Para produtos primários como cereais e frutas, o cálculo da água virtual é relativamente simples: é a relação entre a quantidade total de água usada no cultivo e a produção obtida (m³/ton).

Atenção, a estimativa da água requerida no cultivo dos vários tipos de plantas é feita em função do tipo de solo, clima, técnica de plantio e irrigação, etc. Existem softwares que podem ser usados para este fim. Uma vez obtida a água virtual do produto primário, um inventário hídrico deve ser feito acompanhando os vários passos para obtenção do produto final.

O termo "água virtual" foi introduzido em 1993 por Tony Allan. Ele expôs essa ideia durante quase uma década para obter reconhecimento da importância do tema, que envolve disciplinas de meio ambiente, engenharia de alimentos, engenharia de produção agrícola, comércio internacional e tantas outras áreas que se relacionam com a água.

Atualmente, em discussões técnicas, esse parâmetro está sendo avaliado como um instrumento estratégico na política da água. É o caso do comércio agrícola, que promove uma gigantesca transferência de água de regiões onde ela se encontra de forma abundante e de baixo custo, para outras onde ela é escassa, cara e seu uso compete com outras prioridades.

A China, que importa cerca de 18 milhões de toneladas de soja por ano, a um custo de 3,5 milhões de dólares. Por esse caminho ingressam naquele país cerca de 45 milhões de m³ de água. Um recurso hídrico que a China não teria disponível para cultivar essa soja.

Outro exemplo que vale a pena citar é o das exportações de carne do Brasil. Em 2003, o país mandou para fora 1,3 milhão de toneladas de carne bovina, com uma receita cambial de 1,5 milhão de dólares. Por esse caminho, acabou exportando também 19,5 km³ de água virtual (19,5 bilhões de m³).

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Fluxos de água virtual através do comércio global.

Devemos ficar atentos ao fato de que estas modalidades de comércio crescerão em futuro próximo, paralelamente ao esgotamento e a contaminação dos recursos hídricos.

Dados da UNESCO dão conta que o comércio global movimenta um volume anual de água virtual da ordem de 1.000 a 1.340 km³, sendo:

 67 % relacionados com o comércio de produtos agrícolas;

 23 % relacionados com o comércio produtos animais;

 10 % relacionados com produtos industriais.  

Bispo G.

Leia: Brasília sediará Fórum Mundial da Água em 2018 (http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-02/brasilia-sera-sede-do-forum-mundial-da-agua)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

0 Carbono Azul – Ecossistemas marinhos são peça-chave no combate às mudanças climáticas

 

Depósitos de carbono ao longo das áreas costeiras em todo o globo, incluindo manguezais, bancos de gramas marinhas e marismas (que são terrenos lamosos ou alagadiços à beira do mar), vêm armazenando enormes quantidades de carbono durante séculos. E esses depósitos podem fornecer uma ferramenta imediata e de baixo custo para conter os impactos das mudanças climáticas.

Chamados de "carbono azul" por sua habilidade de sequestrar e armazenar enormes quantidades de carbono, os ecossistemas marinhos costeiros apresentam grande potencial de mitigação do clima, se forem valorados e bem manejados. Segundo os cientistas, os depósitos totais de carbono por quilômetro quadrado nesses sistemas costeiros podem ser até cinco vezes maior que o carbono armazenado nas florestas tropicais. Isso é resultado da sua capacidade de sequestrar carbono em taxas até 50 vezes superiores às florestas tropicais.

"O que temos visto é que esses três ecossistemas - manguezais, bancos de gramas marinhas e marismas - são incrivelmente eficientes em armazenar carbono no sedimento abaixo do solo por séculos a fio", afirma Emily Pidgeon, diretora do Programa Marinho de Mudanças Climáticas da Conservação Internacional. "Para nós é tão natural que os oceanos devam ser parte da solução da mudança climática, que chega a ser até surpreendente que eles não tenham sido considerados até hoje".

ATENÇÃO

Os ecossistemas costeiros estão sofrendo perdas no mundo todo, em velocidade assustadora. Aproximadamente 2% estão sendo removidos ou degradados por ano.

● 35 mil km2 de manguezais foram removidos ao redor do mundo entre 1980 e 2005, o que equivale a uma área do tamanho de Taiwan.

●35% dos manguezais do planeta dizimados ou degradados; e

● 29% dos bancos de gramas marinhas do mundo já foram perdidos ou degradados.

"A perda dos manguezais é como um golpe duplo para o nosso planeta: primeiro, porque resulta numa rápida emissão dos estoques de carbono que, em muitos casos são resultado de séculos de depósitos combinada com a perda de oportunidade de futuros sequestros de carbono por essas áreas e, em segundo, porque destrói os habitats que são críticos para a as atividades de pesca em todo o mundo”, comentou um pesquisador.

REAÇÃO MUNDIAL

Objetivando minimizar o impacto da perda de ecossistemas chaves para o equilíbrio climático* foi criado o Grupo de Trabalho Internacional para o Carbono Azul Costeiro. Ele é composto por 32 cientistas de 11 países.

Este grupo foi o passo inicial no avanço das metas científicas, políticas e de manejo da Iniciativa Carbono Azul, cujos membros fundadores incluem a Conservação Internacional (CI), a União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, da sigla em inglês), e a Comissão Intergovernamental Oceanográfica (IOC) da UNESCO.

*Sem eles há liberação crescente de CO2, que é O gás em maior quantidade no aquecimento global.

Infelizmente, mesmo com a reação inicial de reversão de perda de áreas de ecossistemas costeiros, o processo de destruição deles ainda é mais veloz.

UÇA 2

 

Apesar de ser um trabalho de "formiguinha" nós do Projeto Uçá, estamos fazendo a nossa parte para ajudar dirimir este impacto.

 

 

expedição no mar 047

REVEGETAÇÃO 2