sábado, 26 de abril de 2014

0 Baía de Guanabara. Um complexo ecossistema em risco. Entrevista especial com Graça Bispo, Rodrigo Gaião e Pedro Belga

Compartilhando.

PUBLICADO 14 SETEMBRO 2013. EM BIODIVERSIDADE

portal“As regiões costeiras brasileiras viraram a maior lixeira do país, pois diz o ditado popular: 'Todas as águas levam ao mar'”, constatam os biólogos.

Em menos de duas horas participando de uma regata ecológica realizada pela Escola Naval, biólogos da ONG Guardiões do Mar encontraram, na Baía de Guanabara, mouse de computador, escada de madeira, recipiente de refrigeração de radiador de carro, muitos sacos plásticos, pedaços de madeiras de diversas fontes, garrafas PET. “Isso tudo, infelizmente, não nos causa espanto”, disseram os ativistas à IHU On-Line. Segundo eles, em visitas diárias aos manguezais da Baía de Guanabara, “encontram tais objetos e outros como tubos de imagem de TV, para-choques de carro, sofás, cabeceiras de camas, capacetes diversos, vidros, sacos plásticos, garrafas PET, sofás de três e dois lugares, material ferroso como latas de alimento, brinquedos diversos, pneus em quantidade (de carros, caminhões e tratores) e até boneca inflável”.

De acordo com os biólogos, “o macro e diversificado ecossistema da Baía de Guanabara encontra-se em diferentes estados de degradação”. Com mais de 4.000 km² de extensão, os problemas ambientais estão baseados “na inadequada gestão dos esgotos sanitários e dos resíduos sólidos urbanos”. As falhas, apontam em entrevista concedida por e-mail, não se restringem apenas aos governos, mas à sociedade, que é “corresponsável por este estado de degradação, não só da Baía de Guanabara, mas de todos os ecossistemas associados”.

Os entrevistados são graduados pelas Faculdades Maria Thereza, Niterói-RJ. Pedro Belga é o atual presidente da Guardiões do Mar, coordenador geral do Projeto Caranguejo Uçá. Rodrigo Gaião, biólogo marinho, atua no Projeto Caranguejo Uçá nas ações Gerenciamento de Logística de Coletas de Dados e Educação Ambiental. E Graça Bispo é mestre em Biologia Marinha e doutora em Ecologia Marinha, atuando como coordenadora técnica da ONG Guardiões do Mar. Também é coordenadora técnica no Projeto Caranguejo Uçá.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que é a organização Guardiões do Mar?

Graça Bispo, Rodrigo Gaião e Pedro Belga – A Organização Guardiões do Mar completou, em 19 de março, 15 anos de atuação. Desde sua fundação, em 1998, permanece com seus objetivos de levar informação (técnica e científica) a todas as camadas da sociedade de forma coloquial, principalmente para que as crianças e jovens entendam sua responsabilidade na manutenção de um ambiente socialmente justo e ecologicamente saudável. Nesses anos, muitas foram as frentes de atividades. portal 2Nossas intervenções acontecem na forma de projetos patrocinados e têm seu foco social no viés ambiental. Após 14 anos auxiliando na geração de postos de trabalho através do incentivo a empreendimentos solidários (cooperativas), os Guardiões do Mar, adotaram em 2012 uma nova linha de trabalho: realizar uma ação eminentemente ambiental, com viés social. Ao inverter a forma de atuar, adotamos a educação ambiental como principal ferramenta de transformação e, mais uma vez, nos focamos nas crianças e jovens como principais agentes transformadores e reaplicadores das boas práticas.

Com a inauguração da sede do Projeto Caranguejo Uçá, no próximo semestre, as principais mudanças se darão na criação do Instituto Guardiões do Mar, desenvolvendo projetos ambientais e tendo o ser humano como agente recuperador do ambiente. A geração de trabalho e renda passa a ser um objetivo suplementar a partir da disseminação de informações e ações que mostrem para a sociedade que preservar o ambiente pode e dever ser lucrativo. Nesse mote, o desenvolvimento sustentável é a espinha dorsal das ações.

Desde sua fundação, quatro cooperativas constituídas por senhoras das comunidades-alvo (entorno da Baía de Guanabara) foram incubadas. Cooperativas Manguezarte (São Gonçalo-RJ – Mosaico Ecológico); Cooperativa Modelarte (São Gonçalo-RJ – Costureiras e artesanato com garrafas Pet); Cooperativa Mulheres Arteiras (Niterói-RJ – Artesãs com material reciclável em geral); Cooperativa Tanguarte (Tanguá-RJ – Artesãs de peças confeccionadas com fibra de bananeiras e material reciclável).

Duas cooperativas de catadores de material reciclável também foram criadas e, através do patrocínio da Petrobras, dois galpões de reciclagem (referências no estado do Rio) foram construídos. São elas as cooperativas ReCooperar (de catadores de material reciclável de São Gonçalo) e CooperIta (de catadores de material reciclável de Itaboraí). Ambas são cabeças de redes cujos galpões são entrepostos de comercialização. Duas outras cooperativas foram fundadas e oficializadas a partir da intervenção dos Guardiões do Mar: Cooperativa de Catadores de Recicláveis de Jardim Gramacho (Jardim Gramacho – Duque de Caxias-RJ) e Cooperativa Reciclando Para Viver (Centro/RJ).

Duas Redes de Comercialização de Material Reciclável em escala, a CataSonhos e a Rede Leste, foram criadas e incubadas pelos Guardiões do Mar, abrangendo uma área de mais de 3.000 km2 atendendo aos municípios de Duque de Caxias; Rio de Janeiro (Centro e Brás de Pina); Niterói; São Gonçalo; Itaboraí; Magé (todas na Região Metropolitana); e Araruama; Arraial do Cabo; Cabo Frio; Armação dos Búzios (na Região do Lagos). Nesses 15 anos, aproximadamente 300 mil crianças, jovens e adultos foram atendidos por atividades de educação ambiental.

IHU On-Line – Qual a atual situação ambiental da Baía de Guanabara?

Graça Bispo, Rodrigo Gaião e Pedro Belga – O macro e diversificado ecossistema da Baía de Guanabara encontra-se em diferentes estados de degradação. No sul, fronteira com o Atlântico, ele é menos impactado, pois suas águas são constantemente renovadas (em média, a cada 11 dias uma parcela correspondente a 50% das águas da Baía de Guanabara é renovada). Sua região central e costeira é a intermediária quanto ao impacto. Os grandes estaleiros com problemas crônicos de controle ambiental e outros já submetidos a históricos processos jurídicos insolventes disponibilizam uma grande bomba de poluentes no ambiente. Esgoto in natura, considerado por nós como o maior vilão e como o “tamponador” da ação dos xenobióticos (compostos químicos desconhecidos do ambiente natural, como componente de tintas, combustíveis e outros), faz dessa área a intermediária entre o sul e o norte. A região norte é a que apresenta pior estado, pois tem áreas em verdadeira anoxia (falta de oxigênio).

Ainda é possível ver peixes, aves... Até mesmo camarões são pescados. Ainda há alguns caranguejos e siris. Sabe-se que a biodiversidade está diminuindo na região. Hoje, a partir da região Central para o Norte (área compreendida após a ponte Rio-Niterói e até o fundo) já não se encontram mais animais filtradores (bivalvos, ascídias, etc.) em quantidade/diversidade. A bacia contribuinte é composta por 35 rios, de diferentes dimensões e classificação de qualidade do CONAMA que desaguam na Baía de Guanabara. Esta bacia abrange uma área de mais de 4.000 km² e 15 municípios. Assim sendo, entendemos que um grande problema ambiental está baseado na inadequada gestão dos esgotos sanitários e dos resíduos sólidos urbanos.

Durante todo esse tempo, a execução dos serviços de infraestrutura de saneamento e drenagem não acompanhou o crescimento populacional. Este crescimento e o desenvolvimento industrial trouxeram, além da poluição, questões ambientais de ordem física, tais como a destruição dos ecossistemas periféricos da Baía, os aterros de seu espelho d’água, o uso descontrolado do solo e seus efeitos adversos em termos de assoreamento e sedimentação de fundo.

IHU On-Line – Vocês recolheram, em algumas horas, 220 quilos de lixo da Baía de Guanabara. Que objetos foram encontrados? O que isso demonstra sobre o cuidado ambiental com áreas marítimas brasileiras?

Graça Bispo, Rodrigo Gaião e Pedro Belga – Os resíduos sólidos flutuantes encontrados são “passivos ambientais” e, ao mesmo tempo, “matéria-prima”. Como? A Guardiões do Mar realizou projetos de gestão de empreendimentos na área da cadeia produtiva de reciclagem, ocasião em que catadores formam suas cooperativas e utilizam esta matéria-prima para sua subsistência e de seus familiares, auxiliando no cuidado ambiental.

É sabido que aproximadamente 2/3 da população mundial vive a menos de 200 km da costa. No Brasil, isso não é diferente. Neste caso, estamos falando de cifras da ordem de quase 65 milhões de pessoas, vivendo em uma proximidade das áreas costeiras a ponto de intervir de forma bastante deletéria. Esse número, associado à velocidade da sociedade em descartar erradamente seus recicláveis e orgânicos, à administração pública em não cumprir a Lei Federal n. 12.305, à baixa mobilização na área de educação ambiental, entre tantos outros fatores, faz com que as áreas marinhas brasileiras passem a ser o depositário final de nossos rejeitos. Ou seja, as regiões costeiras brasileiras viraram a maior lixeira do país, pois diz o ditado popular: “Todas as águas levam ao mar”.

Na regata ecológica realizada pela Escola Naval foram encontrados objetos como mouse de computador, escada de madeira, recipiente de refrigeração de radiador de carro, muitos sacos plásticos, pedaços de madeiras de diversas fontes, garrafas PET, entre outros e tudo em menos de duas horas. Mas, isso tudo, infelizmente, não nos causa espanto. Técnicos da Guardiões do Mar, através do Projeto Caranguejo Uçá, diariamente, nas visitas aos manguezais da Baía de Guanabara, encontram tais objetos e outros como tubos de imagem de TV, para-choques de carro, sofás, cabeceiras de camas, capacetes diversos, vidros, sacos plásticos, garrafas PET, sofás de três e dois lugares, material ferroso como latas de alimento, brinquedos diversos, pneus em quantidade (de carros, caminhões e tratores) e até boneca inflável.

Degradação

Os membros da ONG Guardiões do Mar entendem que há falhas por parte dos governos em suas três esferas. Mas também sabemos que a sociedade é corresponsável por este estado de degradação, não só da Baía de Guanabara, mas de todos os ecossistemas associados.

A atuação das cooperativas integrantes das redes de comercialização criadas e incubadas pela Guardiões do Mar, por exemplo, recolheram, triaram e comercializaram, somente em 2012, 5 milhões de kg de material que deixaram de impactar o ambiente e ainda geraram emprego e renda. Isso é a nossa forma de mostrar que cuidar do ambiente promove o desenvolvimento sustentável. Cinco milhões de quilogramas geraram postos de trabalho, impostos, reaquecendo economia local e promoveram a economia de matérias-primas com resultados regionais.

IHU On-Line – A falta de consciência ambiental ainda é um fator prejudicial ao meio ambiente?

Graça Bispo, Rodrigo Gaião e Pedro Belga – ONGs, escolas, governos e empresas podem, através de suas atividades, sensibilizar e mobilizar, pois são processos de “fora para dentro”. Conscientização é um processo de “dentro para fora”, é vulgarmente chamado de “cair a ficha”, que é quando nos damos conta do que realmente é correto fazermos. Aí entra a educação, pois só quando um povo é educado na plenitude suas atitudes mudam também para consigo, seu próximo e seu ambiente.

A transformação de hábitos leva décadas. Não pode ser através de ações pontuais, mas cotidianas. E, sim, este é o primeiro fator prejudicial. Isso justifica a preocupação dos agentes da ONG Guardiões do Mar em atuar de forma a provar que proteger o ambiente a nossa volta pode – e deve – gerar renda. Entendemos que o órgão mais importante do corpo humano é o bolso. Assim, não caímos na utopia de que o homem vai proteger o boto, a baleia ou o mico-leão-dourado pura e simplesmente. Ele vai se tornar um agente ambiental e um militante (do bem) quando perceber que, além da sobrevivência em longo prazo, estas ações “preservacionistas” trazem rendimentos para si e sua família. Aí sim acontece a conscientização.

IHU On-Line – Qual é a maior fonte de poluição das águas brasileiras?

Graça Bispo, Rodrigo Gaião e Pedro Belga – Sólida: resíduos sólidos da sociedade. O consumo desordenado é a fonte de um sem-número de embalagens ou itens diversos, que somos levados a pensar que não mais precisamos. Não praticamos o reaproveitamento e poucas são as instituições que nos mostram aplicabilidades práticas para ele. O que nos leva a verdadeiras montanhas de resíduos sólidos descartados de forma desordenada, nos mais diversos locais. Infelizmente os rios são os principais meios utilizados pela sociedade para se livrar do que não lhe serve mais.

Líquida: Esgotos e efluentes em geral. Principalmente o esgoto doméstico despejado in natura ou com apenas tratamento primário.

IHU On-Line – Em que consiste uma gestão eficiente dos rios brasileiros?

Graça Bispo, Rodrigo Gaião e Pedro Belga – A resposta seria um tratado. A única questão que não poderia faltar é a gestão integrada, ou seja, cada segmento da sociedade ser responsável pelo seu recurso e ser fiscalizador dele, envolvendo efetivamente os governos das três esferas. Usando a logística reversa como exemplo prático, poderia ser feita na desembocadura dos rios coleta dos resíduos sólidos e uma avaliação séria com relação à sua origem.

Como já foi mencionado acima, são 15 municípios que fazem parte da Bacia Contribuinte. Os rios naturalmente já carreiam particulados diversos (areia, silt, argila, madeira, folhas, etc.). Porém, também trazem das serras (principalmente) plásticos (filme, baixa e alta densidade), além de resíduos inusitados, como já mencionados. Muitos ficam pelo caminho, mas o que chega a Baía de Guanabara é carreado pelas correntes impactando sobremaneira os manguezais, por exemplo. Eles flutuam ou se depositam em várias áreas. Uma em especial, que o berçário de biodiversidade e remanescente dos manguezais da Guanabara, é fator preocupante: APA de Guapimirim. Pode parecer utópico, mas a ideia, depois de discutida e adaptada nos meios acadêmicos, bem poderia ser a base de uma gestão integrada de nossos rios.

IHU On-Line – Como vê a iniciativa de criar uma legislação para preservar as áreas marinhas brasileiras, a Lei Mar?

Graça Bispo, Rodrigo Gaião e Pedro Belga – A Lei n. 8.617 é importante, e deve adicionar outros tópicos tais como nossos direitos relacionados à extração dos nódulos de manganês, de forma sustentável. Além disso, a Zona Econômica Exclusiva – ZEE já é uma realidade. Mas o principal entrave é a falta de quantitativo para fiscalização.

IHU On-Line – Como a agenda ambiental marinha é tratada pelo Estado brasileiro?

Graça Bispo, Rodrigo Gaião e Pedro Belga – Infelizmente, entendemos que a agenda ainda é tratada de forma pontual, quase que com descaso. Não existe a confecção de uma agenda em nível nacional que leve em consideração as especificidades de cada estado. Entendemos que, a partir do momento em que setores da educação e ambiente (nas escalas federal, estadual e municipal) atuarem conjuntamente para a criação de uma agenda, os resultados serão potencializados, incluindo a participação da sociedade como um todo. A Regata Naval é um belo exemplo disso.

IHU On-Line – Como vê a proposta de uma governança global dos oceanos?

Graça Bispo, Rodrigo Gaião e Pedro Belga – Os interesses em nível global são muito díspares. Apenas para citar um pequeno exemplo: haveria necessidade de que o Japão entendesse a necessidade de paralisar ou diminuir sobremaneira a caça às baleias. Uma mudança cultural teria de ser efetiva em relação a certos hábitos de consumo para que pudéssemos ter uma proposta de governança que pensasse realmente na sustentabilidade dos oceanos. Acreditamos que se pode contribuir em curto prazo com ações similares às estratégias das Agendas 21. Pensar globalmente e agir localmente. Uma agenda de ações com metas a serem cobradas para curto, médio e longo prazo, ações que envolvessem destinação correta dos resíduos sólidos e os esgotos domésticos de cada país-membro tratados em sua integralidade. Isso é básico. Estamos no século XXI!

IHU On-Line – Desejam acrescentar algo?

Graça Bispo, Rodrigo Gaião e Pedro Belga – Segundo a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente — FEEMA, a Baía de Guanabara recebe 35 rios principais, com elevada poluição por efluentes domésticos brutos ou parcialmente tratados de cerca de 10 milhões de habitantes e efluentes industriais de mais de 12.000 indústrias (LIMA, 2006). Não podemos cuidar deste complexo ecossistema se não cuidarmos de dois itens primordiais: o ser humano que aí habita, tira seu sustento e degrada, e seus rios, das nascentes à foz.

Precisamos entender que somos cidadãos do mundo. Os problemas da Amazônia, citando outro ecossistema, trazem consequências em escala mundial, independentemente da região (país em que está localizada, pois a floresta não tem fronteiras). Quando se fala em problemas ambientais, eles ultrapassam as barreiras geográficas e políticas. Deveríamos ter em conta, como principais fatores limitantes para uma solução ambiental global, apenas os fatores culturais e da língua. Para citar mais um exemplo, a Baía de Guanabara não é do Rio de Janeiro, de Duque de Caxias, de Niterói, São Gonçalo ou Guapimirim. Ela é um enorme ecossistema cujas margens perpassam as fronteiras geopolíticas de sete municípios e sua bacia recebe influência (negativa ou positiva) de mais oito. Qualquer coisa que aconteça não acontecerá somente neste ou naquele município. O dano quando ocorre é de todos, sem exceção. Não há mágica. Não há milagre, a hora de começar já passou. Se não corrermos e arregaçarmos as mangas o processo de perda se tornará irreversível.

Fonte: IHU Online.

http://portaldomeioambiente.org.br/noticias/biodiversidade/6664-baia-de-guanabara-um-complexo-ecossistema-em-risco-entrevista-especial-com-graca-bispo-rodrigo-gaiao-e-pedro-belga?showall=&start=1

quinta-feira, 27 de março de 2014

0 Educação Ambiental para os futuros educadores de jovens.

 

Magé 4 

 

O Projeto Uçá continua percorrendo escolas dos seis municípios atendidos pelo projeto com o objetivo de levar educação ambiental para jovens adultos e crianças. Com a volta as aulas, nossos técnicos estiveram recentemente (dentre muitas outras) com o pessoal do CIEP 128 Magé Mirim em Magé.

 

 

SABRINA 02E no e Instituto de Educação CLELIA NANCI, em São Gonçalo com alunos do Curso de Formação de Professores - curso Normal. A ação é resultante da parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SEEDUC). Através dessa parceria vem sendo realizados cursos de formação continuada para educadores (formados e/ou em formação) e ainda, para lideranças comunitárias. A meta, até junho de 2014 é que ao menos 5.690 professores sejam capacitados e possam utilizar novas práticas na área de Educação Ambiental levando as mesmas, para a garotada em sala de aula. 


 
Com o patrocínio da Petrobras por intermédio do Programa Petrobras Ambiental, o Projeto Caranguejo Uçá atua em cinco municípios da Baía de Guanabara: Niterói, São Gonçalo, Guapimirim, Magé e Itaboraí e ainda no município de Maricá.

SABRINA 01De forma lúdica os técnicos da instituição Guardiões do Mar mostram a importância de reaplicar a ideia de cuidar do ecossistema e como é importante que o ser humano adquira boas práticas ambientais.

Para os diretores de escola que gostam de inovar e ter em seus quadros professores melhor preparados, basta entrar em contato com a gerência de educação Ambiental do Projeto Uçá. Nossos técnicos vão até a escola com todo o aparato para proporcionar uma nova experiência de educar ambientalmente. Professores também fiquem a vontade para nos contatar. Afinal, com professores melhor preparados e alunos educados ambientalmente, ganhamos todos.

sábado, 22 de março de 2014

0 22 de Março - Dia Mundial da Água

 

agua 1

A Água que ninguém vê

Nos últimos anos, sempre no dia 22 de março alertamos para os perigos do manejo incorreto de um recurso primordial a vida, a água.

Vou voltar a um tema que a maioria nem lembra. A água que ninguém vê.

Estamos habituados a calcular, no uso doméstico, um consumo médio de 200 litros por habitante/dia. Porém, considerando outros usos, quantos litros de água uma pessoa consome por dia? A resposta está no cálculo da água virtual.

A água virtual é a quantidade que se gasta dela para produzir um bem, produto ou serviço. Ela está embutida no produto, não apenas no sentido visível, físico, mas também no sentido "virtual", considerando a água necessária aos processos produtivos. É uma medida indireta dos recursos hídricos consumidos por um bem.

Para produtos primários como cereais e frutas, o cálculo da água virtual é relativamente simples: é a relação entre a quantidade total de água usada no cultivo e a produção obtida (m³/ton).

Atenção, a estimativa da água requerida no cultivo dos vários tipos de plantas é feita em função do tipo de solo, clima, técnica de plantio e irrigação, etc. Existem softwares que podem ser usados para este fim. Uma vez obtida a água virtual do produto primário, um inventário hídrico deve ser feito acompanhando os vários passos para obtenção do produto final.

O termo "água virtual" foi introduzido em 1993 por Tony Allan. Ele expôs essa ideia durante quase uma década para obter reconhecimento da importância do tema, que envolve disciplinas de meio ambiente, engenharia de alimentos, engenharia de produção agrícola, comércio internacional e tantas outras áreas que se relacionam com a água.

Atualmente, em discussões técnicas, esse parâmetro está sendo avaliado como um instrumento estratégico na política da água. É o caso do comércio agrícola, que promove uma gigantesca transferência de água de regiões onde ela se encontra de forma abundante e de baixo custo, para outras onde ela é escassa, cara e seu uso compete com outras prioridades.

A China, que importa cerca de 18 milhões de toneladas de soja por ano, a um custo de 3,5 milhões de dólares. Por esse caminho ingressam naquele país cerca de 45 milhões de m³ de água. Um recurso hídrico que a China não teria disponível para cultivar essa soja.

Outro exemplo que vale a pena citar é o das exportações de carne do Brasil. Em 2003, o país mandou para fora 1,3 milhão de toneladas de carne bovina, com uma receita cambial de 1,5 milhão de dólares. Por esse caminho, acabou exportando também 19,5 km³ de água virtual (19,5 bilhões de m³).

agua 2
agua 3

Fluxos de água virtual através do comércio global.

Devemos ficar atentos ao fato de que estas modalidades de comércio crescerão em futuro próximo, paralelamente ao esgotamento e a contaminação dos recursos hídricos.

Dados da UNESCO dão conta que o comércio global movimenta um volume anual de água virtual da ordem de 1.000 a 1.340 km³, sendo:

 67 % relacionados com o comércio de produtos agrícolas;

 23 % relacionados com o comércio produtos animais;

 10 % relacionados com produtos industriais.  

Bispo G.

Leia: Brasília sediará Fórum Mundial da Água em 2018 (http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-02/brasilia-sera-sede-do-forum-mundial-da-agua)

sexta-feira, 21 de março de 2014

0 Google e 40 instituições lançam sistema para monitorar florestas

 

Compartilhando…http://www.ecofidelidade.com.br/noticias.aspx?msgid=216

 

googleO World Resources Institute, um think tank americano que estuda energias renováveis, lançou com o Google e 40 instituições internacionais um sistema capaz de monitorar com rapidez o estado das florestas no mundo.

A ideia do Global Forest Watch (GFW), como foi batizada a plataforma, é permitir um melhor manejo dos recursos florestais mundiais.

É um trabalho inspirado no monitoramento do desmatamento da Amazônia feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) há 20 anos.

Exibindo onde ocorre o desmatamento e em qual taxa, a intenção é melhorar a ação dos governos, das empresas e das ONGs.

Na base deste esforço está um fato impressionante: o mundo perdeu 2, 3 milhões de quilômetros quadrados (ou 230 milhões de hectares) de cobertura florestal entre 2000 e 2012, segundo dados da Universidade de Maryland e do Google. Isso equivale à perda de 50 campos de futebol de florestas a cada minuto nos últimos 12 anos. Os países com a mais alta taxa de perda florestal foram a Rússia, o Brasil, o Canadá, os Estados Unidos e a Indonésia.

"O Global Forest Watch é uma plataforma em tempo quase real que vai mudar fundamentalmente a maneira que as pessoas e os negócios administram as florestas", diz Andrew Steer, presidente do WRI. "A partir de agora, os vilões não poderão se esconder e os mocinhos serão reconhecidos pelo seu bom trabalho". O lançamento da plataforma aconteceu em Washington e reuniu representantes de governo, empresários e sociedade civil.

"O GFW é uma visão ambiciosa", disse Rebecca Moore, gerente do Google Earth Outreach and Earth Engine, responsável pelo projeto. "Nunca foi feito nada assim antes."

"Desmatamento é matéria de risco para os negócios relacionados com a produção florestal", disse o CEO da Unilever Paul Polman, segundo o material de divulgação. "O GFW é uma ferramenta fantástica para prover a informação que necessitamos com rapidez na tomada de decisões".

O sistema promete exibir a perda anual da cobertura vegetal no mundo, assim como os ganhos, com uma resolução de 30 metros. As imagens ficarão disponíveis para análise e download. Mensalmente haverá dados para áreas tropicais com resolução de 500 metros. Os dados serão públicos e gratuitos.

Além de possibilitar que empresas monitorem melhor sua cadeia de fornecedores, a plataforma poderá servir ao setor financeiro para avaliar melhor o perfil dos tomadores de empréstimos. "Compradores de commodities como soja, madeira, óleo de palma e carne poderão monitorar melhor suas compras de acordo com os princípios e padrões de sustentabilidade", diz o release do evento.

Entre as instituições que participaram da criação do GFW estão também o instituto brasileiro Imazon e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Os maiores financiadores do projeto foram a Norwegian Climate and Forests Initiative, o U.S. Agency for International Development (USAID), o U.K. Department for International Development (DFID) e o fundo ambiental do Banco Mundial (GEF).

Fonte: Daniela Chiaretti VE

http://www.ecofidelidade.com.br/noticias.aspx?msgid=216

0 21 de março, dia Internacional das Florestas

 

Há um ano redigi um texto que abordou o histórico do Dia Internacional das Florestas (21 de março) e o Dia Nacional da Árvore (21 de setembro). Nele falei sobre as importantes “funções que as florestas desempenham”, como regulação do clima; auxílio na infiltração da água, que recarrega o lençol freático e impedimento dos processos erosivos, além da manutenção da fauna nativa. Entretanto, essas importantes funções são negligenciadas quando ocorre desmatamento das áreas de florestas; exploração ilegal de madeira e o dano mais comum que ocorre próximo às cidades, a ocupação imobiliária desordenada.

Na tentativa de modificar essa situação, a ONG Guardiões do Mar criou o Projeto Caranguejo Uçá, que é patrocinado pela Petrobras pelo Programa Petrobras Ambiental. Esse projeto está realizando o reflorestamento de quase 9 hectares de manguezal degradado, localizado na Porção Leste da Baía de Guanabara (Figura 1). O equivalente a 12 campos de futebol do Maracanã.

                          figura 1Figura 1: Vista do local do reflorestamento. Antes da Intervenção do Projeto Caranguejo Uçá.  (Fonte: Guardiões do Mar)

Antes, o que era uma área onde a vegetação original foi retirada e deu lugar a capim, hoje recebe mudas de espécies do ecossistema manguezal, como Mangue-branco, Mangue-preto e Mangue-vermelho (Figura 2).

figura 2
Figura 2:
Área do reflorestamento com espécies já plantadas. (Fonte: Guardiões do Mar)

Um ano após o início do reflorestamento, já é possível ver as funções ecológicas da floresta sendo recuperadas. Uma delas é que algumas mudas plantadas já produziram flores e propágulos (Figura 3). E estes já caíram ao solo, gerando novas plantas, o que auxiliará no futuro, na formação de uma floresta estruturada (Figura 4).

figura 3  Figura 3: Muda de Mangue-branco com flor. (Fonte: Guardiões do Mar)

 

figura 4
     Figura 4:
Propágulos crescendo na área de reflorestamento (Fonte: Guardiões do Mar)

Dessa maneira, o Projeto Caranguejo Uçá comemora com louvor o Dia Internacional das Florestas, contribuindo para o aumento dos bosques de florestas nativas, e a manutenção da biodiversidade dos manguezais.

Guilherme Rodrigues – Engenheiro Florestal

terça-feira, 18 de março de 2014

0 Manguezais são reconhecidos como aliados contra o aquecimento global

Edição do dia 28/03/2013
28/03/2013 21h30 - Atualizado em 30/03/2013 16h55

No sobe e desce das marés, onde o rio encontra o mar, nasce o manguezal, um dos ecossistemas mais produtivos e generosos da Terra.

Um ecossistema que décadas atrás era desprezado foi reconhecido pelos cientistas como um grande aliado no combate ao aquecimento global. É o manguezal, tema da série de reportagens especiais de Vladimir Netto e Hélio Gonçalves que o Jornal Nacional começa a exibir nesta quinta-feira (28).

No sobe e desce das marés, onde o rio encontra o mar, nasce o manguezal, um dos ecossistemas mais produtivos e generosos da Terra.

“Ele garante abrigo sem cobrar nada. Ele garante alimento sem cobrar nada. Ele purifica a água sem cobrar nada. Não é uma mãe?”, explica a bióloga Yara Schaeffer-Noveli.

saiba mais

Um ambiente que soube se adaptar a condições extremas: árvores que aguentam a água salgada e equilibram as raízes na lama trazida pelos rios. Características únicas que são estudadas há décadas no manguezal de Cananéia, litoral sul de São Paulo, por pesquisadores como a bióloga Marília Cunha-Lignon.

“O monitoramento dá para a gente a saúde do manguezal, por exemplo, aqui a gente tem certeza que são manguezais extremamente conservados, são manguezais que estão produzindo recurso natural”, aponta Marília.

Cada vez mais estudado, o manguezal é visto hoje como um dos maiores aliados do homem na luta contra os efeitos do aquecimento global. A lama, que filtra a água, soterra toneladas de sedimentos trazidos pelo rio.

“Então nós temos um controlador de efeito estufa. O manguezal tem uma competência de fixar carbono dez vezes superior ao das florestas tropicais. Isso é bastante novo. Isso é muito recente, essa informação”, reforça Yara.

Além de tudo, o mangue ainda é o berçário da vida marinha. O emaranhado de raízes submersas abriga centenas de espécies de animais.

“O baiacu é uma das primeiras espécies de peixe que entram quando a maré enche. O baiacu sem espinho. É um filhote. Está procurando a região justamente para se proteger entre as raízes”, conta Marília.

A pesca costeira depende muito dessa proteção. Na região de Cananéia, a pesca é a principal atividade econômica. Um lugar onde a profissão de pescador ainda passa de pai para filho. Dessas águas, saem 70% de tudo o que é pescado no litoral de São Paulo. De acordo com especialistas, essa grande quantidade de peixes é resultado direto da conservação dos manguezais.

Mas nem sempre foi assim. Uma vez a ostra quase acabou no manguezal. A saída foi  criar uma reserva extrativista e controlar a produção.

O pescador Chico Mandira é o líder de uma comunidade quilombola que vive do mangue há mais de 30 anos. Ele saiu para catar ostras e nós acompanhamos esse trabalho.

Na canoa, Mandira e o filho Luiz contam que eles mesmos vigiam tudo com ajuda de outros pescadores. Ostras, por exemplo, ficam no viveiro para crescer até o tamanho certo para a venda.

“A quantidade de ostra que tinha no mangue já estava assim quase em extinção. Aí a gente criou uma regra dentro da comunidade para que o pessoal respeitasse o tamanho também. Aí isso veio agregar mais ostra”, lembra Chico.

Hoje, Chico recolhe 10 mil dúzias por ano, em média. A produção é vendida por uma cooperativa de pescadores. “Se você cuidar, você vai ter mais. Você vai tirar o seu sustento e vocês vão ter mais. Quanto mais você cuidar, mais você vai ter”, diz ele.

Depois de uma manhã de muito trabalho, em casa, a mesa farta é o resultado do que Chico acabou de falar.

“Hoje vai ter arroz, feijão. Vai ter farofa de ostra, ostra in natura e ostra gratinada. Ostra é o prato principal”, diz a mulher.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/03/manguezais-sao-reconhecidos-como-aliados-contra-o-aquecimento-global.html

0 Fonte de renda, maior faixa contínua de manguezal do mundo corre perigo

Edição do dia 29/03/2013
29/03/2013 21h27 - Atualizado em 29/03/2013 21h27

Um estudo internacional, publicado no mês passado, revela: está no Brasil a maior faixa contínua de manguezal do mundo.

Um estudo internacional, publicado no mês passado, revela: está no Brasil a maior faixa contínua de manguezal do mundo. Mas essa fonte de alimento e renda para milhares de brasileiros corre perigo. É o que mostram Vladimir Netto e Hélio Gonçalves na segunda reportagem da série especial que o Jornal Nacional apresenta esta semana.

São milhões de litros de água sendo despejados pelos rios no mar a todo momento. E uma imensa floresta: a maior faixa contínua de manguezal do mundo. Começa perto de Belém do Pará e vai até São Luis do Maranhão.

“Esses manguezais têm uma área de sete mil e quinhentos quilômetros, que é uma área superior aos manguezais da Índia e Bangladesh e os manguezais de Papua-Nova Guiné, que têm aproximadamente seis mil quilômetros de extensão”, diz o geólogo Pedro Walfir.

No país todo, são mais de 11 mil quilômetros quadrados de manguezais espalhados do Amapá até Santa Catarina. Mas só no Norte do Brasil ele encontrou condições tão boas para crescer. Basta olhar as árvores.

saiba mais

Na Amazônia, com a grande quantidade de chuva e a imensidão dos rios, a água fica menos salgada. Por causa disso, do sol forte o ano inteiro e da lama rica em nutrientes, as árvores de mangue crescem mais, e algumas chegam a 40 metros de altura.

O mangue vermelho faz verdadeiras esculturas na floresta. O mangue preto espalha suas raízes que saem da lama em busca de oxigênio. Pelas folhas, expulsa o sal do mar.

“O truque para ela se adaptar ao manguezal é conseguir eliminar o sal do organismo”, explica o biólogo Marcus Fernandes.

Nesse ambiente, as aves se multiplicam. O guará tem a cor que tem por causa do que ele come no manguezal. Há também muitos peixes e, claro, caranguejos, espécie-chave para esse ecossistema.

“Quando eles cavam suas tocas, as suas galerias, eles estão cavando o meio pelo qual o ar entra no chão do manguezal, no chão do manguezal, e isso é importante para o sistema”, acrescenta Marcus Fernandes.

Na beira do rio, aparecem três catadores. Os mais velhos de 12 irmãos que vão tirar o sustento de toda a família do manguezal, ou mangal, como eles chamam. Para entrar na lama eles vestem calça, luva e sapato, e rapidamente nos deixam para trás.

Andar por lá não é nada fácil. Exige esforço físico, coordenação, sorte e não pode pisar longe dos galhos. Se pisar longe dos galhos, já era. Você não tem a menor chance.

Logo a roupa e a pele se misturam à lama. Em meia hora, mais de 20 caranguejos. “O almoço já tem. Nós viemos só tirar mesmo para fazer o assado quando chegar em casa”, diz um dos meninos.

Eles lavam os caranguejos no rio sob a chuva da Amazônia. São para o almoço. Mas na maioria das vezes os caranguejos vão mesmo é para o mercado.

Na feira de Bragança, norte do Pará, caranguejo não falta.

“Aqui é domingo a domingo. Quando não tem, o pessoal está procurando, tem que ter todo dia”, conta um vendedor.

Muitos não aguentam e morrem. A cena incomoda até quem é de lá.

“Isso não é comida típica para a gente, isso é alimentação diária. A gente fica com medo de o tempo comprometer. A falta de consciência de conservação e preservação e comprometer o futuro da espécie”, reflete o vidraceiro Fábio José Ribeiro dos Santos.

O pesquisador acha que é possível preservar o manguezal para as próximas gerações. “Eu acredito que os manguezais podem garantir e coexistir com futuras gerações desde que a gente tenha habilidade para utilizá-lo de forma sustentável e as nossas autoridades tenham a sabedoria de aprovarem leis que permitam a conservação desse ecossistema”, conclui o geólogo Pedro Walfir.

 

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/03/fonte-de-renda-maior-faixa-continua-de-manguezal-do-mundo-corre-perigo.html